terça-feira, 29 de julho de 2008

EUA: PRÓXIMO PRESIDENTE HERDARÁ UM PAÍS SOB ESCOMBROS

O governo dos Estados Unidos elevou sua previsão de déficit orçamentário para 2009 de US$ 407 bilhões para o valor recorde de US$ 482 bilhões no próximo ano fiscal (outubro de 2008/setembro de 2009). Correspondentes afirmam que a previsão apresenta um desafio para o próximo presidente americano, que deverá assumir o cargo em janeiro.
Segundo a Casa Branca, o aumento se deve em parte ao pacote de US$ 168 bilhões aprovado pelo presidente George W. Bush em fevereiro passado para estimular a economia do país.
É possível que o déficit para 2008 também supere o recorde de US$ 413 bilhões, registrado em 2004. Com o recorde previsto para 2009, o próximo presidente americano - escolhido possivelmente entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain - pode relutar em reduzir impostos ou aumentar gastos que podem elevar o déficite ainda mais.
Em uma reunião com assessores econômicos em Washington, Obama disse: "Não foi um acidente ou uma parte normal do ciclo econômico que levou a esta situação. Há algumas decisões irresponsáveis tomadas em Wall Street e em Washington", noticiou a agência de notícias Associated Press. McCain afirmou: "Como presidente, estarei comprometido em equilibrar o orçamento até o fim do meu primeiro mandato.""A notícia de hoje torna este trabalho mais difícil não não deve mudar nossa determinação em tomar decisões duras", disse McCain, segundo a Associated Press. Vem recessão brava por aí?
FONTE: www.bbcbrasil.com

sexta-feira, 25 de julho de 2008

EUA E A REVOLUÇÃO POLÍTICA DA DÉCADA: Barack Obama mostra que está preparado para a presidência

O candidato democrata - e o preferido, segundo às pesquisas - à presidência dos Estados Unidos da América, Barack Obama, desembarcou hoje, nesta sexta-feira, na belíssima cidade de Paris para reunir-se com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Obama está passando hoje algumas horas em Paris no intervalo entre suas visitas a Berlim e a Londres. Um dia antes, cerca de 200 mil pessoas assistiram, na capital alemã, a um discurso de Obama sobre as relações euro-americanas. O encontro de Obama com Sarkozy está marcado para o meio-dia (hora de Brasília) e a expectativa é de que eles concedam uma entrevista coletiva conjunta ao término da reunião. Sarkozy deixou uma reunião de cúpula no sudoeste da França apenas para receber Obama no Palácio do Eliseu em Paris. Sarkozy já havia se reunido antes no palácio com o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain. Sarkozy e Obama já se conhecem. Os dois reuniram-se em Washington em 2006, numa visita de Sarkozy aos EUA meses antes de ser eleito presidente da França.

Obama e Sarkozy reiteram pedido por mais tropas no Afeganistão
O provável presidente democrata da Casa Branca, Barack Obama, participou, nesta sexta-feira, em Paris, de uma entrevista coletiva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy na qual ambos reiteraram pedidos para que sejam ampliadas as forças militares para o combate ao terrorismo no Afeganistão. "Esta é uma guerra que precisamos ganhar", disse Obama, sobre os esforços de combate ao Taleban e à rede terrorista al Qaeda, no Afeganistão. Ele disse ainda que os EUA precisam enviar mais tropas ao país para "terminar o trabalho" que começaram após nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Sarkozy pediu também por mais tropas no afeganistão, uma decisão que Obama elogiou como "corajosa". O presidente francês conversou a portas fechadas com o democrata antes da entrevista coletiva. Na Alemanha, de onde veio Obama após um elogiado discurso para cerca de 200 mil pessoas, a chanceler Angela Merkel deixou claro que se opõe a proposta de reforçar as tropas multinacionais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no país. Em discurso aos berlinenses, Obama pediu maior aliança entre EUA e os parceiros da Otan para combater o terrorismo, um dos desafios globais do século 21. "Nenhuma nação é forte o bastante para combater o perigo do terrorismo", disse, ovacionado pelo público presente. "Os riscos estão além das fronteiras e somente uma aliança pode fazer frente aos desafios do século 21", completou. O combate no Afeganistão foi um dos temas centrais da viagem internacional de Obama pelo Oriente Médio e Europa. O democrata foi ao país em sua primeira parada e reiterou, após conversas com o presidente afegão e as tropas americanas no país, que será necessário um reforço nas tropas para combater o terrorismo.
Na entrevista em Paris, Obama falou também de outro dos "desafios do século 21", o polêmico programa nuclear iraniano. O senador por Illinois disse que o Irã deveria aceitar a proposta da União Européia de interromper o enriquecimento de urânio, que algumas nações associam à construção de armas nucleares enquanto o Irã defende que usa o programa apenas para produção de energia. Aos repórteres, Obama disse ainda que o país não deve esperar que o próximo presidente dos EUA que assumir reduza a pressão sobre seu programa nuclear. "Não esperem o próximo presidente porque a pressão, eu acredito, só vai aumentar", disse.
Obama disse ainda que tanto ele quanto Sarkozy concordam que a questão nuclear iraniana "é uma situação extremamente grave" e que o mundo "deve ensinar uma mensagem forte para pôr fim a seu programa nuclear ilícito".
Amigo
Sarkozy disse em entrevista ao jornal "Le Figaro", publicado nesta sexta-feira, que Obama é seu amigo. "Ao contrário de meus conselheiros da célula diplomática, nunca acreditei nas possibilidades de Hillary Clinton. Sempre achei que Obama seria designado", revela Sarkozy.
A visita do senador americano será rápida, já que Obama "reservou o jantar para o primeiro-ministro britânico Gordon Brown", aponta o "Le Figaro". "Sou o único francês que o conhece", disse ainda Sarkozy, que esteve com Barack Obama em 2006, no Congresso, em Washington, e diz ter "boas recordações" desse encontro.
Berlim
Obama chegou em Berlim na manhã desta quinta-feira e partiu direto do aeroporto para a chancelaria, onde teve uma reunião a portas fechadas com a chanceler Angela Merkel.
Um porta-voz da chanceler disse que os dois tiveram uma conversa "muito aberta" sobre uma grande variedade de assuntos. Segundo comunicado de Ulrich Wilhelm, os dois discutiram temas importantes de política externa, como a situação do programa nuclear do Irã, o Afeganistão, Paquistão e o processo de paz no Oriente Médio. As conversas entre Obama e Merkel, realizadas a portas fechadas na chancelaria, incluíram também uma parceria econômica e a "necessidade de cooperação no nível internacional e entre organizações internacionais para resolver importantes questões globais". Foi justamente esta necessidade de uma parceria entre os EUA e a Europa que Obama ressaltou em seu discurso público em frente à Coluna da Vitória, em Berlim.
Obama, que foi ovacionado várias vezes pelas dezenas de milhares de alemães presentes, afirmou que houve diferenças entre os EUA e a Europa e que haverá diferenças no futuro, "mas a colaboração e a parceria entre as nações é o único caminho para avançar nos propósitos comuns". "Agora é hora de construir pontes entre os países. Derrotar o terrorismo e nos juntar contra os muçulmanos que vivem pelo ódio em vez da esperança", disse Obama, em discurso, no parque Tiergarten. O democrata pediu que os países europeus trabalhem com os EUA no reforço do combate aos militantes terroristas da Al Qaeda e do Taleban no Afeganistão, um dos locais que visitou durante sua viagem internacional. Nesta manhã, diversos jornalistas esperavam em frente ao luxuoso e centenário hotel Adlon, localizado junto ao Portão de Brandeburgo, onde Obama está hospedado. A viagem internacional de Obama --a primeira como presidenciável-- inclui ainda uma passagem por Londres. Depois, ele deve retornar a Chicago, para descobrir se a viagem efetivamente ampliou suas credenciais em política externa e assuntos de segurança nacional.
fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mundo

Barack Obama já se comporta como Presidente eleito dos EUA

Barack Obama fez uma viagem à Alemanha e uma de surpresa ao Afeganistão. Críticos o consideram um novato em política externa. Em seu site, o senador norte-americano apresenta suas posições sobre esse assunto. A DW-WORLD.DE resume:

Papel dos EUA no mundo
"Acho que os Estados Unidos são a última e a melhor esperança do mundo. Só temos que mostrar que esse é realmente o caso. O presidente [Bush] chefia a Casa Branca, mas a liderança mundial está vaga há seis anos. É hora de reocupá-la."Obama pretende se dedicar mais que o governo Bush às alianças internacionais e reduzir as manobras isoladas norte-americanas, sem – no entanto – excluir de todo esta alternativa. Ele anunciou que tentará restabelecer o contato direto com países como a Síria e o Irã, com os quais os EUA estão em conflito atualmente. Obama quer aumentar o número de representações americanas no exterior – sobretudo na África.

Política de defesa e guerra contra o terrorismo
"O primeiro passo deve ser recuar do campo de batalha errado, no Iraque, e assumir a luta contra os terroristas no Afeganistão e no Paquistão."Obama se posicionou explicitamente contra a guerra no Iraque e anunciou a retirada das tropas norte-americanas do país. Em compensação, ele quer aumentar o contingente de soldados no Afeganistão de 7 mil para 10 mil. A prioridade de Obama é o Afeganistão. Para McCain, por sua vez, o Iraque é prioridade. Obama quer exigir dos parceiros da Otan mais empenho em operações militares conjuntas, sobretudo no Afeganistão. Assim como McCain, Obama apóia a criação de um escudo antimísseis norte-americano. Ambos defendem uma reforma do sistema de licitação pública para a indústria bélica. Obama anuncia que sua meta é um mundo livre de armas nucleares. Quanto a isso, ele pretende negociar com a Rússia estratégias desarmamentistas.

Relações comerciais internacionais
"Nem todo acordo comercial é um bom negócio."
Quanto à economia mundial, as propostas de Obama são vagas. Ele é mais crítico que McCain no que diz respeito à liberalização das relações comerciais internacionais. Ele rejeita, entre outras coisas, um acordo de livre comércio com a Colômbia e a Coréia do Sul, mas favorece um acordo com o Peru. Para ele, qualquer acordo deveria respeitar, no entanto, os padrões trabalhistas e ambientais. Assim, Obama exige novas negociações com o México e o Canadá sobre o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), a fim de incluir esses padrões. O candidato democrata elogia o modelo econômico liberal dentro dos EUA, mas quanto às relações comerciais internacionais, defende sobretudo a proteção dos empregos dentro do país. Se eleito presidente, ele será contra qualquer acordo que mine a segurança econômica dos EUA.

Clima
"A mudança do clima é um dos maiores desafios morais da nossa geração." Obama exige a fixação de um limite máximo de emissão de gases causadores do efeito estufa e o comércio de direitos de emissão nos Estados Unidos. Ele anuncia que pretende cooperar com as organizações de proteção ao clima da ONU, mas não se compromete a assinar o Protocolo de Kyoto ou qualquer acordo que o suceda. Sua proposta é convocar os países do G8, a China, a Índia, o Brasil, o México e a África do Sul a negociar conjuntamente questões globais de energia.
Imigração
"Temos que compreender que a imigração dentro dos moldes legais é uma fonte da energia deste país."Obama quer maior rigor contra empresários que empregam pessoas sem visto de permanência. Seu programa para trabalhadores estrangeiros prevê que imigrantes ilegais paguem uma multa, aprendam inglês e tenham direito de requerer regulamente a cidadania norte-americana. Sobretudo o México e os países latino-americanos estão pressionando os EUA a adotar uma política de imigração mais liberal.

Europa
"A fim de reforçar o papel de liderança dos EUA no mundo, quero reatar alianças e parcerias e reativar instituições necessárias para enfrentar as ameaças comuns e garantir maior segurança."
Obama pretende melhorar a imagem dos EUA na Europa. Ele quer "tratar os aliados com respeito e restabelecer a autoridade moral dos EUA", segundo consta de seu site. A União Européia é denominada a maior parceira dos EUA em comércio e investimentos. Obama apóia o processo de expansão da UE e a Turquia em sua meta de ingressar na comunidade.

Iraque
"Vou acabar com essa guerra."
Obama anunciou iniciar a retirada das tropas do Iraque dentro de 16 meses. Ele pretende transferir para o governo em Bagdá a responsabilidade pela segurança no país. As forças de segurança deverão continuar sendo treinadas e algumas tropas americanas permanecerão no Iraque, a fim de executarem operações específicas. Obama se diz contra a criação de bases militares permanentes no país do Golfo.
Afeganistão
"Se houver mais algum ataque contra o nosso país, provavelmente ele virá da mesma região onde se planejou o 11 de Setembro. Mesmo assim, temos cinco vezes mais soldados no Iraque do que no Afeganistão."Para Obama, o Afeganistão é a mais importante plataforma de combate ao terrorismo. Ele quer enviar mais tropas americanas à região, ao mesmo tempo em que critica o presidente afegão, Hamid Karzai, por não ter avançado o suficiente no preocesso de reconstrução do Estado de direito, da polícia e da administração do país.

Irã
"Recorrerei ao poder americano, a fim de exercer pressão sobre o regime iraniano – a começar, com diplomacia direta, íntegra e agressiva, com o respaldo de sanções rigorosas e sem condições prévias."Obama quer negociar diretamente com Teerã o programa nuclear iraniano. Caso o Irã mude sua política atômica, ele se propõe a pleitear o ingresso do país na Organização Mundial de Comércio e normalizar as relações diplomáticas entre Washington e Teerã. Caso contrário, a pressão econômica e política aumentará ainda mais. Obama declarou ser contra as ameaças de guerra do governo Bush.

Conflito no Oriente Médio
"Os empenhos pela paz começam com uma defesa clara e enérgica da segurança de Israel, nosso aliado mais próximo e a única democracia da região."Obama anunciou que pretende se esforçar por um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Ao contrário de McCain, ele também visitou os territórios palestinos durante sua passagem por Israel, mas irritou os palestinos ao defender que uma Jerusalém não dividida se torne a capital israelense.

América Latina
"É hora de uma nova aliança entre as Américas. Após termos exigido reformas de cima para baixo durante décadas, precisamos de um plano para propiciar democracia e segurança a partir de baixo."Obama quer atenuar a política americana em relação a Cuba, mas ao mesmo tempo manter o embargo comercial. Cubanos exilados devem poder visitar suas famílias sem restrições e enviar dinheiro a Cuba. Obama defende uma "diplomacia bilateral, íntegra e agressiva". Caso o regime cubano dê sinais de abertura democrática, Obama se propõe a amenizar as sanções comerciais. A fim de combater a violência decorrente do tráfico de drogas e a criminalidade de gangues, Obama tem um plano de segurança que se estende da América Central até a América do Sul. Além disso, ele anunciou combater não apenas o fluxo de drogas nos Estados Unidos, mas também o tráfico de armas dos EUA para o México. Ao mesmo tempo, apóia o plano antidrogas para a Colômbia, que prevê uma ajuda financeira de bilhões de dólares aos militares do país. Os recursos deveriam fortalecer as instituições colombianas.

África
"A corrupção da qual ouvi falar, quando visitei certas partes da África, existe há décadas, mas o ímpeto de combater essa corrupção é uma força crescente e poderosa entre os africanos. Nas regiões onde grassam medo e miséria, temos que vincular nossa ajuda a um insistente apelo por reformas."Como senador, Obama viajou à África e visitou, entre outros países, o Quênia, onde seu pai nasceu. Na Comissão de Política Externa, ele defende uma solução para os conflitos em Darfur e no Congo. Obama também quer liberar mais recursos para o combate à propagação da aids, malária e tuberculose na África. Ele apóia as metas do milênio da ONU e já anunciou que pretende duplicar as verbas de ajuda ao desenvolvimento para 50 bilhões de dólares.

Ásia
"Um país economicamente forte e politicamente mais ativo como a China abre novas possibilidades na Ásia, mas também impõe novos desafios aos EUA e nossos aliados na região."
Obama se pronunciou bem pouco sobre a Ásia. Ele ressaltou a parceria com o Japão, a Coréia do Sul e a Austrália. Ele acha que a diplomacia deveria ir além de conversas e encontros bilaterais. A China deveria "se ater às regras internacionais".
fonte: http://www.dw-world.de/dw/article