domingo, 5 de outubro de 2008

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008


Em mais uma eleição que vem mostrar a excelente performace da democracia, o Brasil foi às urnas escolher, pela 7ª vez desde o fim do regime militar, seus prefeitos e vereadores.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, e Marta Suplicy (PT) vão disputar o segundo turno das eleições em São Paulo. Por volta das 3h desta segunda-feira, 100% das urnas já haviam sido apuradas. Candidato à reeleição, Kassab teve 2.140.423 votos válidos, enquanto Marta teve 2.088.329 votos. O tucano Geraldo Alckmin (PSDB) ficou em terceiro lugar, com 1.431.670 votos. Surpreendente, todas as pesquisas que apontavam Marta em 1º lugar, erraram, e quem ficou com este posto foi Kassab. No entanto, a ex-prefeita chegou logo atrás, com menos de 1 ponto percentual de diferença. A disputa no segundo turno promete!

A campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pretende promover um "arrastão partidário", ampliando seu arco de alianças e isolando a adversária Marta Suplicy (PT) no segundo turno da disputa em São Paulo. Na corrida pela reeleição, o democrata também quer intensificar o ritmo de trabalho da prefeitura e cobra dedicação maior de seus colaboradores, tanto os envolvidos na disputa quanto os da administração. Kassab não pretende procurar pessoalmente Geraldo Alckmin (PSDB) para costura de aliança --tarefa que caberá ao DEM. Mas, mesmo sem acordo, tucanos (sejam eles secretários estaduais ou municipais) vão entrar na campanha.
"Nossas prioridades são o PSDB e o PPS, que já compõem o nosso governo", disse Kassab.
Além do PSDB e do PTB, aliado de Alckmin no primeiro turno, e o PPS, parte do eleitorado do PP migrará para Kassab. Nesse caso, porém, Kassab nem sofrerá o desgaste de estar ao lado do ex-prefeito Paulo Maluf. Segundo kassabistas, Maluf tem dito que não manifestará voto por integrar a base de apoio de Lula. Até o PSOL, de Ivan Valente, caminha para "liberar o voto" de seus filiados e militantes. Escalado para as negociações, Guilherme Afif já tem uma reunião marcada amanhã com o PPS. Ao listar a ordem de conversas, Afif citou PPS, PTB e PSDB. Segundo ele, é natural contar com o apoio do PPS e do PTB porque ambos integram a base de governo Serra em São Paulo. Em relação ao PP de Paulo Maluf, porém, "existe uma dificuldade. Eles integram a base do governo federal". No PSDB, a expectativa é que o governador José Serra entre na campanha. Hoje, o comando do DEM chega a São Paulo para se reunir com Kassab. A intenção é divulgar uma nota em que o DEM declara apoio ao PSDB em outras cidades. Esse, segundo o ex-presidente do partido Jorge Bornhausen, seria o primeiro gesto de aproximação. O chefe estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, disse que "a ambigüidade hamletiana que existia foi resolvida pelo eleitor". "Vou defender o Kassab. Agora, é o velho conflito situação contra a oposição. E o PSDB faz parte da situação." Segundo o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a orientação do prefeito é de "ritmo acelerado de trabalho". "A ordem é para que não haja confusão entre campanha e administração. Mas a administração não pode parar. Ao contrário, o prefeito pede ritmo acelerado. Não só para mim. Mas para outros secretários." Sem muitas opções, a coordenação de campanha de Marta Suplicy diz que tentará compensar a ausência de adesões partidárias com apoios pontuais de "líderes empresariais, sindicais e intelectuais". Os petistas iniciaram conversas com lideranças regionais do PSDB para aproveitar feridas da campanha. E o presidente Lula deve voltar ao palanque de Marta no segundo turno.
Fonte: www.terra.com.br

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TEMPESTADE FINANCEIRA: A CRISE SE AGRAVA

Câmara dos EUA rejeita pacote; Bovespa chega a interromper atividade

A Câmara dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira o pacote de socorro ao setor financeiro por 228 votos contra e 205 a favor . Para aprovação, seriam necessários 218 parlamentares favoráveis. Entre os votos contrários ao plano de ajuda, 133 vieram do Partido Republicano (do presidente George W. Bush) e 95 do Democrata. Parlamentares defensores das medidas disseram que vão se esforçar para que o pacote volte a ser considerado pelo Congresso o quanto antes, segundo o site do jornal "The New York Times". Em conseqüência da rejeição à proposta, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu mais de 10% e teve suas operações interrompidas, voltando a funcionar depois de cerca de meia hora. O principal indicador de ações fechou em queda de 9,36%.Segundo informações da Casa Branca, após o anúncio da rejeição, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que ficou "muito decepcionado" e confirmou que se reunirá ainda nesta segunda-feira com seus assessores para determinar os próximos passos a serem dados.Congressistas dos Estados Unidos haviam anunciado no domingo (28) que chegaram a um acordo sobre como seria o socorro do governo ao setor financeiro, informação que agora se mostra incorreta.Ainda que as discordâncias entre parlamentares fossem nítidas, a rejeição à proposta pega muitos investidores de surpresa, uma vez que há um consenso entre os legisladores americanos de que é necessária alguma medida significativa contra a crise. Instituições financeiras dos Estados Unidos passam por seu pior momento desde a Grande Depressão, ocorrida no final da década de 1920 e nos anos de 30. Por terem grande liberdade de atuação, bancos americanos investiram fortemente em papéis ligados a empréstimos hipotecários de alto risco. Os títulos foram sendo repassados de uma instituição a outra, aumentando o número de bancos expostos a esse risco. O aumento da inadimplência nos empréstimos hipotecários provocou fortes perdas nas instituições expostas a esses títulos. Os papéis se tornaram ilíquidos, ou seja, há pouquíssimo interesse dos investidores em comprá-los devido à incerteza em torno do seu valor real.O debate sobre o salvamento do setor financeiro gira em torno de o que fazer com esses títulos e como evitar que, futuramente, ocorra novamente esse problema. Nas últimas semanas, o governo dos EUA teve que resgatar grandes instituições, como as duas maiores empresas americanas que operam títulos de créditos imobiliários (Fannie Mae e Freddie Mac).Outros bancos em dificuldade acabaram sendo comprados por instituições privadas. O Merrill Lynch foi adquirido pelo Bank of America; o Washington Mutual, pelo JPMorgan Chase; o Wachovia pelo Citigroup.O pacote de socorro serviria apenas para apagar o incêndio financeiro nos EUA. Para remover de uma vez os escombros e reerguer o mercado com segurança, analistas têm defendido novas regras de regulação do setor.

Se o futuro dos bancos já estava preocupante, agora tomou ares dramáticos. Por 228 a 205, o Congresso Americano acabou de rejeitar o pacote de ajuda aos bancos, e ninguém tem idéia de como ficará a economia a partir de agora. A Bovespa acaba de interromper suas atividades para evitar o overreaction, e as previsões são sombrias. Estava caindo mais de 10% quando o pregão foi interrompido. Ontem foi anunciado o acordo para aprovação do pacote, mas pelo jeito a reação da população, que pressionou os congressistas, foi intensa desde então.O dólar deve subir rapidamente nas próximas horas, e a dica é esperar um pouco.Não tente comprar desesperadamente a moeda americana, porque o mercado vai entrar em uma turbulência absurda nos próximos dias.O Governo americano deve ter um plano de contingência, caso contrário, amanhã a quebradeira de alguns bancos será inevitável.Em meio à pressão da opinião pública, os congressistas não quiseram saber de auxílio aos banqueiros, com a conta indo parar no colo da população, enquanto estes ainda queriam receber polpudos bônus no fim do ano, mesmo falidos.Ainda não se sabe qual é a providência que o Governo tomará a partir de agora, ou mesmo se o pacote ainda voltará ao Congresso, mas a situação ficará muito ruim nos próximos dias.A bolsa de Nova York teve hoje a maior queda da sua história, com mais de 6%, e a Nasdaq caiu mais de 9%.Depois de entrar em Circuit Breaker (as operações são paralisadas por 30 minutos quando ultrapassam 10% de variação diária), a Bovespa voltou a operar, mas despencou feio, chegando a uma queda de 13,3%.No final se recuperou um pouco, mas fechou com uma queda de quase 10%. Se bobear amanhã teremos feriado bancário nos EUA, porque a onda de saques bancários será inevitável.

100 anos sem Machado de Assis

O centenário da morte do escritor carioca Machado de Assis ocorre nesta segunda-feira. Nascido Joaquim Maria Machado de Assis, em 1839, o romancista tornou-se um dos mais respeitados da literatura brasileira. O vasto currículo do autor começou a ser preenchido por volta dos 15 anos, quando publicou um poema em uma revista do Rio de Janeiro. Esforçado, o jovem Machado usava seu talento para escrever crônicas, contos e até para fazer críticas literárias.
O lançamento das obras Ressurreição, 1872, e Helena, 1876, marcaram o início de sua carreira literária.Embora publicasse seus textos desde a adolescência, o escritor só atingiu o ápice depois dos 40 anos, com a publicação, em 1880, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em capítulos nos jornais. O livro sairia no ano seguinte. Depois do narrador-defunto viriam outras quatro obras memoráveis: Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, além de outras dezenas de contos.Mesmo sem ter freqüentado uma universidade, Machado se destacava por sua facilidade de aprender. O escritor, no entanto, tinha uma saúde frágil. Sofria de crises nervosas, problemas digestivos e infecções nos olhos. A vida desregrada de Machado tornou-se mais estável quando ele se casou com Carolina Xavier de Novaes, em 1869. Mas a perda de sua parceira, em 1904, deixou sua rotina mais triste. O escritor, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, morreu no dia 29 de setembro de 1908, em sua casa no Rio de Janeiro. Filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma lavadeira portuguesa da Ilha de São Miguel. Machado de Assis, que era canhoto [1], passou a infância na chácara de D. Maria José Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira, na Ladeira Nova do Livramento, (como identificou Michel Massa), onde sua família morava como agregada, no Rio de Janeiro. De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova. Não freqüentou escola regular, mas, em 1851, com a morte do pai, sua madrasta Maria Inês, à época morando no bairro em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é provável que tenha assistido às aulas quando não estava trabalhando.Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude.Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como O Corvo, de Edgar Allan Poe. Posteriormente, estudou alemão, sempre como autodidata. Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um romancista, contista, poeta e teatrólogo brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da literatura desse país e identificado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos. De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando. Sua vasta obra inclui também crítica literária. É considerado um dos criadores da crônica no país, além de ser importante tradutor, vertendo para o português obras como Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente, também chamada de Casa de Machado de Assis.De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida. Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.Em 1864 estréia em livro, com Crisálidas (poemas). Em 1869, casa-se com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais e quatro anos mais velha do que ele. Em 1873, ingressa no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, como primeiro-oficial. Posteriormente, ascenderia na carreira de servidor público, aposentando-se no cargo de diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas. Podendo dedicar-se com mais comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de caráter romântico. É a chamada primeira fase de sua carreira, marcada pelas obras: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), e Iaiá Garcia (1878), além das coletâneas de contos Contos Fluminenses (1870), , Histórias da Meia Noite (1873), das coletâneas de poesias Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875), e das peças Os Deuses de Casaca (1866), O Protocolo (1863), Queda que as Mulheres têm para os Tolos (1864) e Quase Ministro (1864).Em 1881, abandona, definitivamente, o romantismo da primeira fase de sua obra e publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, que marca o início do realismo no Brasil. O livro, extremamente ousado, é escrito por um defunto e começa com uma dedicatória inusitada: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas". Tanto Memórias Póstumas de Brás Cubas como as demais obras de sua segunda fase vão muito além dos limites do realismo, apesar de serem normalmente classificados nessa escola. Machado, como todos os autores do gênero, escapa aos limites de todas as escolas, criando uma obra única.Na segunda fase suas obras tinham caráter realista, tendo como características: a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo. Da segunda fase, são obras principais: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908), além das coletâneas de contos Papéis Avulsos (1882), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1906), Relíquias da Casa Velha (1906), e da coletânea de poesias Ocidentais. Em 1904, morre Carolina Xavier de Novaes, e Machado de Assis escreve um de seus melhores poemas, Carolina, em homenagem à falecida esposa. Muito doente, solitário e triste depois da morte da esposa, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho. Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira (ainda rapaz e por isso desconhecido dos demais escritores), ficcionalmente o tema da morte de Machado de Assis foi revisto por Haroldo Maranhão.