terça-feira, 20 de janeiro de 2009

E BARACK OBAMA FAZ HISTÓRIA

POSSE HISTÓRICA
Barack Obama se tornou nesta terça-feira o 44º presidente dos Estados Unidos em uma cerimônia acompanhada por milhões de pessoas em Washington.Obama prestou juramento em uma plataforma em frente ao Capitólio da capital americana, a sede do Legislativo federal.
Com uma das mãos sobre uma Bíblia usada na posse de Abraham Lincoln, em 1861, Obama prometeu "preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos". O novo presidente deu sinais de que estava emocionado com a ocasião e chegou a errar um trecho do juramento, para, em seguida, se corrigir. Obama foi ovacionado pela multidão que acompanhou a cerimônia na esplanada em frente ao Capitólio, enfrentando o frio de cerca de zero grau na capital americana.
Discurso
Após o juramento, Obama deu início ao seu primeiro discurso como presidente americano. No pronunciamento, o novo líder dos Estados Unidos pediu uma nova era de responsabilidade no país.
Leia mais na BBC Brasil sobre o discurso de Obama
O presidente eleito e a mulher, Michelle, começaram o dia indo às 9h a uma missa privada em Washington juntamente com seu vice, Joe Biden, e sua esposa. Cerca de uma hora depois, ele seguiu para a Casa Branca, onde se encontraram com agora ex-presidente, George W. Bush. Depois, eles foram juntos em comboio para o Capitólio, sendo muito aplaudidos pela multidão no caminho. Telões foram espalhados na esplanada em frente ao Capitólio para que todos possam ver os detalhes do evento.Para garantir que a posse ocorra sem problemas, um esquema de segurança sem precedentes foi adotado, mobilizando cerca de 40 mil agentes.

Empolgação
Um repórter da BBC em Washington disse que a cidade foi tomada por uma imenso clima de empolgação com a posse. Às 5h da manhã, o metrô da capital americana já registrava um movimento como o da hora de pico, mas muitos pareciam felizes de enfrentar a multidão para poder acompanhar a posse. “Eu estou fazendo fila há horas. Não me importo com o quanto eu tenha que esperar”, disse o morador de Washington Ronald Brisbon à BBC. “(Martin Luther) King disse que demoraria 40 anos. Demorou 45 anos, eu posso esperar mais uma hora”, completou, se referindo ao fato de um negro passar a ocupar a Casa Branca. Bush recebeu Obama na Casa Branca antes da posse
44º Presidente dos EUA assume o governo em meio à euforia popular
WASHINGTON - Milhões de pessoas foram para a capital americana, Washington, para acompanhar a cerimônia de posse do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Já no amanhecer a esplanada em frente ao Capitólio da capital americana ficou tomada pelos fãs do presidente eleito, que deve fez seu juramento às 12h, hora local (15h em Brasília).
Cerca de dois milhões de pessoas acompanharam a cerimônia em Washington. Telões foram espalhados na esplanada para que todos pudessem ver os detalhes do evento.
O serviço meteorológico dos Estados Unidos previa temperaturas em torno de -7ºC, com possibilidade de chuvas e até de neve pela tarde, em um dia em que as autoridades da capital se prepararam para a chegada de mais de dois milhões de pessoas para a sucessão presidencial.
Missa
No discurso de cerca de 20 minutos, após o juramento, Obama pediu uma nova era de responsabilidade nos Estados Unidos. O presidente eleito e a mulher Michelle começaram o dia indo às 9h a uma missa privada na igreja de São João juntamente com seu vice, Joe Biden, e sua esposa. Cerca de uma hora depois, ele seguiu para a Casa Branca, onde se encontrarou com o atual presidente, George W. Bush. Em seguida, Bush e seu vice, Dick Cheney, seguiram com Obama e Biden até o Capitólio. Lá, primeiramente Biden foi empossado, depois o presidente eleito. Durante o juramento, o presidente eleito leu um texto breve de 35 palavras: "Eu, Barack Hussein Obama, juro solenemente cumprir escrupulosamente as funções de presidente dos Estados Unidos, e, em toda a medida de minhas possibilidades, salvaguardar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos".
Desafios são grandes, mas serão vencidos, diz Obama em discurso de posse
WASHINGTON - Em seu discurso de posse, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que os desafios do país são “reais, sérios e grandes”, mas serão vencidos. “Nós não vamos vencê-los rápida ou facilmente, mas vamos vencê-los”, disse Obama, o primeiro negro a ocupar a presidência norte-americana. Em seu discurso, ele também defendeu uma nova postura dos EUA em relação aos outros países. "O mundo mudou e precisamos mudar com ele", disse.
Nossa nação está em guerra, nossa economia está enfraquecida devido à irresponsabilidade e ganância de alguns, e também devido à nossa incapacidade coletiva de tomar decisões difíceis”, afirmou, citando como outros “indicadores da crise” os problemas de educação, saúde, energia e a falta de confiança dos americanos. Em seguida, o presidente afirmou que chegou a hora de "reconstruir a América". "O tempo chegou para reafirmarmos nosso espírito lutador. Todos são iguais, todos são livres e todos têm a chance de perseguir a felicidade." Ele afirmou que os que questionam o "tamanho de sua ambição" esquecem das lutas históricas dos americanos. "Nós entendemos que nossa grandeza não veio sem luta. Nossa grandeza não veio nas mãos daqueles que preferem a diversão no lugar de trabalho. A nação é grande devido aos homens e mulheres que lutaram para viver uma boa vida", disse. "Esta é a jornada que continuamos hoje. Nossa capacidade continua a mesma. Começando hoje, precisamos fazer o trabalho de reconstruir a América", disse Obama. "Nossos desafios podem ser novos. Mas os valores, lealdade e patriotismo, essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas foram a força do progresso em nossa história".
Política externa
O novo presidente também mandou uma mensagem para todos os países do mundo que estavam observando esta data histórica. "Saibam que a América é amiga de todas as nações e pessoas que procuram liberdade e paz", disse. "A América está pronta para liderar novamente".
Obama prometeu começar uma retirada responsável do Iraque e afirmou que a segurança nacional dos EUA não é fruto apenas do poder da nação, mas também da "força de nosso exemplo, nossa humildade e perseverança". "Vamos trabalhar pela paz no Afeganistão e diminuir o perigo da proliferação nuclear. Para o mundo muçulmano, nós buscamos uma nova alternativa baseada em respeito mútuo", disse Obama, acrescentando que "os que buscam o poder através de corrupção" estarão "no lado errado da história"."Para o povo de nações pobres, saibam que estamos ao seu lado para levar água limpa e comida para todos. Nós não podemos ser indiferentes ao sofrimento do outro lado de nossas fronteiras. O mundo mudou e precisamos mudar com ele", disse. Obama também buscou deixar claro que a determinação dos EUA na luta contra o terrorismo continua. "Não vamos nos desculpar por nosso estilo de vida, nem iremos ceder na sua defesa, e para os que buscam promover seus objetivos induzindo o terror e abatendo inocentes, dizemos a vocês agora que nosso espírito está mais forte e não pode ser rompido. Vocês não podem nos derrubar e nós vamos derrotá-los", afirmou. O novo presidente encerrou seu discurso pedindo aos americanos o início de "uma nova era de responsabilidade" em suas vidas e um novo papel para o país no mundo, baseado na cooperação e no diálogo.
Dia da posse
O discurso teve início pouco após Obama fazer seu juramento como o novo presidente, em uma plataforma em frente ao Capitólio da capital americana, a sede do Legislativo federal. Com uma das mãos sobre uma Bíblia usada na posse de Abraham Lincoln, em 1861, Obama prometeu "preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos". O novo presidente deu sinais de que estava emocionado com a ocasião e chegou a errar um trecho do juramento, para, em seguida, se corrigir. Ao final do juramento, ele foi ovacionado pela multidão. Antes de chegar ao Capitólio, Obama participou de outros eventos. Por volta das 12h (horário de Brasília), ele e a mulher, Michelle, assistiram a uma missa fechada na igreja Episcopal St. John. O vice-presidente eleito, Joseph Biden, e sua mulher, Jill, também estavam presentes.
Após a missa, que durou cerca de uma hora, Obama se dirigiu à Casa Branca, onde foi recebido pelo atual presidente, George W. Bush, para um café da manhã do qual também participaram Michelle Obama e Laura Bush. Juntos, todos seguiram para o Capitólio, onde Obama foi empossado.

Segurança
Um aparato de segurança sem precedentes foi montado para a posse de Obama, e envolveu o trabalho de 58 agências federais, 12.500 soldados, 8 mil policiais e mil oficiais do Corpo de Bombeiros. O controle da operação ficou a cargo do Serviço Secreto norte-americano. Diversas ruas e estações de metrô nas imediações da cerimônia foram fechadas e até mesmo pontes ligando o Estado vizinho de Virgínia à capital americana foram bloqueadas. O espaço aéreo da cidade foi patrulhado por aeronaves do Exército e o rio Potomac ficou cheio de embarcações armadas. Operações de emergência foram planejadas para a eventualidade de um ataque e para impedir que ele ocorresse. Mas, de acordo com o FBI, o aparato de segurança foi montado não devido ao temor de que um ataque terrorista acontecesse, e sim devido ao elevado número de espectadores que eram esperados para a cerimônia: cerca de 2 milhões. O público começou a chegar na esplanada em frente ao Capitólio ainda durante a madrugada, apesar do frio que fazia em Washington. Para esta terça-feira, o serviço meteorológico dos Estados Unidos estimou temperaturas em torno de -7ºC.
FONTE: http://www.bbcbrasil.com.br/

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Oriente Médio à beira do abismo

Foguetes lançados do Líbano atingem Israel, que revida
JERUSALÉM - Vários foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel nesta quinta-feira, ferindo levemente duas pessoas, informaram a polícia e médicos. Os ataques podem estar relacionados com a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza. Israel revidou com disparos de artilharia que o porta-voz do Exército israelense descreveu como "resposta precisa à fonte do ataque" - uma reação militar limitada que parece sinalizar o desejo de evitar uma escalada.Três horas mais tarde, serviços de emergência israelense disseram que pelo menos mais um foguete havia atingido o país. Aparentemente não havia vítimas.Também não havia informações de vítimas no Líbano.Ainda não estava claro se a guerrilha libanesa do Hezbollah - contra quem Israel travou uma guerra em 2006 - dispararam os foguetes ou se eles foram lançados por palestinos. O Hezbollah negou qualquer participação nos disparos e Israel culpa os palestinos que vivem no Líbano de lançar os foguetes. O ataque vindo do Líbano é um novo desafio ao Estado judeu no 13º dia de campanha militar em Gaza.
Tensão
Desde que a ofensiva israelense em Gaza começou, libaneses temem que o Hezbollah possa atacar o território israelense, abrindo uma segunda frente de combate para Israel.
O líder do grupo xiita disse na quarta-feira em discurso que suas forças estavam em alerta máximo e prontas para lutar contra Israel em caso de agressão. Foi a primeira vez que Nasrallah falou da possibilidade de uma nova guerra com os israelenses. Antes disso, Nasrallah se limitava a criticar Israel, os países árabes e a comunidade internacional por nada fazer em favor dos palestinos. O Hezbollah, assim como o Hamas, recebe forte apoio político e militar de Síria e Irã, países considerados inimigos por Israel. O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, já havia declarado que se Israel atacasse o sul do Líbano, o governo entenderia como um ataque à todo o Líbano.
Pressão
Após a guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006, o grupo xiita tem estado sob enorme pressão de seus rivais políticos no Líbano para se desarmar. Atualmente, o Hezbollah faz parte de um governo de união nacional com poder de veto sobre decisões importantes. Em fevereiro de 2008, um alto comandante militar do grupo xiita, Imad Mughniyeh, foi assassinado em um atentado com carro-bomba em Damasco, na Síria. O Hezbollah culpou Israel pela morte de Mughniyeh e jurou vingança. Em novembro, sete foguetes Katiushas foram encontrados no sul do Líbano por tropas da ONU e Exército libanês. Eles estavam programados e prontos para serem disparados contra Israel. O Hezbollah, então, pediu uma séria investigação sobre o incidente e negou ter posicionado os foguetes. Autoridades médicas palestinas afirmam que pelo menos 760 palestinos morreram desde o início dos confrontos, em 27 de dezembro. Outros 3.085 teriam ficado feridos.O número de mortos em Gaza não pode ser confirmado por fontes independentes.Por outro lado, sete soldados israelenses já morreram nos confrontos em terra e quatro civis foram mortos por foguetes palestinos.

Ataque israelense atinge comboio da ONU e agência suspende atividades em Gaza
Pelo menos um palestino foi morto nesta quinta-feira em um ataque israelense contra um comboio da ONU na Faixa de Gaza, informou Adnan Abu Hasna, porta-voz da organização. A ONU anunciou a suspensão por tempo indeterminado das operações na região. O ataque aconteceu quando os caminhões da Nações Unidas viajavam para buscar suprimentos endereçados a Gaza durante as três horas de cessar-fogo humanitário instituídas na região. "Dois morteiros atingiram de perto um caminhão do comboio que se dirigia a Erez", informou Chris Gunness, também porta-voz da organização. "Nossas instalações foram atingidas, nossos funcionários foram mortos, apesar do fato de as autoridades israelenses terem as coordenadas sobre nossas instalações e de todos os nossos movimentos serem coordenados com o Exército israelense", acrescentou. "É com grande pesar que a UNWRA (agência da ONU para os refugiados palestinos) foi forçada a tomar essa difícil decisão", completou Gunness. A agência humanitária distribui alimentos a cerca de 750 mil pessoas no território palestino. Militares israelenses disseram que vão investigar o acidente. A presidência tcheca da União Européia (UE) também lamentou a morte por fogo israelense do agente da ONU. "Após bombardear uma escola da ONU, este é outro terrível episódio, que, além disso, ocorreu durante as três horas de cessar-fogo declarado por Israel", indicou o ministro de exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg. Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza. Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza. Junto aos cadáveres, de acordo com a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpo de suas mães. A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio. "O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assitência aos feridos", disse chefe de operãções da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levassemos auxílio aos feridos", acrescentou.
O outro lado
Mak Regev, um porta-voz do governo israelense, disse não ter conhecimento do incidente citado pela Cruz Vermelha, mas afirmou que Israel apóia o trabalho da entidade em Gaza.
"Não tenho conhecimento, e peço desculpas, sobre os detalhes desse caso específico", afirmou Regev. "O que eu posso dizer é que Israel tem uma relação muito boa com a Cruz Vermelha."
"Nós abrimos canais de comunicação", acrescentou. "Se há problemas de coordenação, de logística, ou outras dificuldades, nós podemos solucionar essas questões", disse. "Nós apoiamos o que a Cruz Vermelha está fazendo em Gaza, queremos ajudá-los a fazer seu trabalho, nós vemos como nosso papel ajudar esses trabalhadores humanitários em Gaza e estamos tentando trabalhar com eles da maneira mais eficaz possível", disse o porta-voz. Nesta quinta-feira aconteceu o segundo cessar-fogo humanitário na Faixa de Gaza para que a população civil possa obter mantimentos. A trégua, assim como na quarta-feira, teve início às 13h e terminou às 16h (12h de Brasília), de acordo com o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky. Durante esse período, as passagens fronteiriças de Nahal Oz e Kerem Shalom deveriam estar abertas para permitir a entrada a Gaza de cargas de ajuda humanitária e combustível. A tensão aumentou, nesta manhã, quando vários foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel, ferindo levemente duas pessoas. Israel revidou com disparos de artilharia que o porta-voz do Exército israelense descreveu como"resposta precisa à fonte do ataque" - uma reação militar limitada que parece sinalizar o desejo de evitar uma escalada. O Hezbollah negou qualquer participação nos disparos e Israel culpa os palestinos que vivem no Líbano de lançar os foguetes. Desde o início do conflito, no dia 27 de dezembro, pelo menos 760 palestinos morreram, conforme autoridades médicas. Outros 3.085 teriam ficado feridos. Por outro lado, Israel diz que sete soldados morreram nos confrontos em terra e quatro civis foram mortos por foguetes palestinos.

Crise humanitária em Gaza se agrava 'de hora em hora', diz ONU
A crise humanitária na Faixa de Gaza piora "de hora em hora", alertou nesta quinta-feira a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), que suspendeu todas as suas atividades humanitárias depois que ataques do Exército israelense atingiram um de seus comboios, deixando dois mortos. Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou de "inaceitável" o fato de o organismo não poder distribuir ajuda em Gaza, após o ataque israelense contra o comboio da agência para refugiados.
"A UNRWA se viu forçada a suspender a distribuição de alimentos por não poder garantir a segurança de seu pessoal. É inaceitável que a ONU não possa proporcionar assistência nesta crise humanitária que se está agravando", afirmou a porta-voz Michèle Montas.Ela assinalou que as informações das agências da ONU indicam que o ataque aconteceu durante a trégua de três horas proclamada pelos israelenses.Montas afirmou, ainda, que quatro funcionários da UNRWA morreram nestes 13 dias da ofensiva de Israel no território palestino, e ressaltou que as Nações Unidas mantém estreitos contatos com as autoridades israelenses para investigar este e outros incidentes, e para adotar medidas urgentes que evitem sua repetição."O secretário-geral faz de novo uma chamada por um cessar-fogo imediato que facilite o acesso humanitário completo e sem restrições (a Gaza), e permita aos voluntários trabalhar com segurança para chegar a todos os que necessitam de ajuda", acrescentou a porta-voz.
Situação dramática
Segundo o porta-voz da UNRWA em Gaza, Christopher Gunnes, cerca de 1,5 milhão de palestinos estão bloqueados no território em condições críticas. Ele afirmou também que os corredores humanitários propostos pelas Forças Armadas israelenses ainda devem ser estabelecidos "corretamente". Segundo Gunnes, os eixos viários utilizados pelos militares israelenses atrapalham a organização da ajuda, ou a possibilidade, para seus beneficiários, de se deslocar para receber os víveres. Hoje, um milhão de pessoas estão sem luz e 750 mil estão sem água."As pessoas já estão nos dizendo que têm fome, e essa insegurança alimentar cresce", completou o porta-voz da agência da ONU, lembrando que alguns lugares da Faixa de Gaza continuam isolados e afastados de qualquer ajuda humanitária. Elena Mancusi Materi, porta-voz da UNRWA em Genebra, disse que a interrupção diária dos confrontos pelo período de três horas, uma determinação do governo israelense, é insuficiente. "Do ponto de vista operacional, três horas não fazem nenhuma diferença", declarou a porta-voz. "Temos de distribuir a comida para 750.000 refugiados em Gaza e não podemos fazer isso em três horas", ressaltou.A situação sanitária também é dramática. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sistema médico palestino está "à beira do colapso", com hospitais sobrecarregados, pessoal médico esgotado fisicamente dpor trabalhar sem parar há quase duas semanas. Os hospitais estão funcionando graças a geradores, que poderão parar a qualquer momento devido à falta de combustível, acrescentou a OMS."Todos os programas de vacinação foram interrompidos em 27 de dezembro", anunciou a OMS, que teme o ressurgimento de doenças normalmente combatidas por essas vacinas, caso os programas não sejam retomados logo.
Cruz Vermelha
Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.
Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza. Junto aos cadáveres, de acordo com a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpo de suas mães. A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio. "O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assitência aos feridos", disse chefe de operãções da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levassemos auxílio aos feridos", acrescentou.
Mak Regev, um porta-voz do governo israelense, disse não ter conhecimento do incidente citado pela Cruz Vermelha, mas afirmou que Israel apoia o trabalho da entidade em Gaza.
"Não tenho conhecimento, e peço desculpas, sobre os detalhes desse caso específico", afirmou Regev. "O que eu posso dizer é que Israel tem uma relação muito boa com a Cruz Vermelha."
"Nós abrimos canais de comunicação. Se há problemas de coordenação, de logística, ou outras dificuldades, nós podemos solucionar essas questões", disse o porta-voz. "Nós apoiamos o que a Cruz Vermelha está fazendo em Gaza, queremos ajudá-los a fazer seu trabalho."

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Guerra no Oriente Médio

Israel divide Faixa de Gaza e cerca sua principal cidade

GAZA - Tanques e tropas israelenses dividiram a Faixa de Gaza em duas partes nesta manhã e estão cercando a Cidade de Gaza, em um momento em que a ofensiva devastadora contra o Hamas ganha força. Pelo menos 30 palestinos, incluindo civis, foram mortos. Pelo menos 20 palestinos foram mortos nos arredores de Jabaliya e Beit Hanun, uma das zonas por onde entraram as forças terrestres israelenses na noite de sábado. Cinco morreram perto da cidade de Gaza, dois perto de Khan Yunis e três em Rafah, no sul do território, segundo fontes médicas. As novas mortes levam o total de mortos na Faixa de Gaza desde sábado para mais de 500. Autoridades palestinas e da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam que pelo menos 100 civis estão entre os mortos.
Incursão terrestre
As tropas israelenses entraram no sábado na Faixa de Gaza e enfrentam, pela primeira vez desde o início dos bombardeios aéreos, os homens do Hamas dentro da zona de conflito. A ação israelense em Gaza, que tem como objetivo impedir que o Hamas lance ataques com foguetes contra o país, entrou no nono dia. Em resposta ao ataque terrestre israelense, os líderes do grupo palestino, responsável pela administração da Faixa de Gaza, ameaçaram transformar o território em um "cemitério" para os soldados israelenses. Do outro lado, o Exército de Israel anunciou que a ofensiva terrestre, a primeira desta envergadura desde a evacuação da Faixa de Gaza, em 2005, durará "muitos dias". O governo explicou que o objetivo é "tomar o controle" dos setores de Gaza de onde são disparados os foguetes contra Israel.
Cenário da invasão
Depois de entrarem na Faixa de Gaza, tanques israelenses abriram fogo contra posições do Hamas no norte do território, e os combatentes islâmicos responderam com tiros de morteiro, segundo testemunhas.Explosões e trocas de tiros foram ouvidos em vários setores, enquanto as tropas, apoiadas por helicópteros Apache, avançavam na Faixa de Gaza. Os ativistas palestinos dispararam obuses de morteiro e detonaram várias bombas à beira das estradas durante sua passagem.Uma criança palestina morreu e outras 11 pessoas ficaram feridas na explosão de um obus disparado por um tanque israelense, segundo fontes médicas e testemunhas.